Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer"
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.
FIM
Los 4 Mosqueteiros
O dia-a-dia dos mosqueteiros no mundo pós contemporâneo
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Não, não há juizes em Berlim
Por Francisco Mata Machado Tavares, professor universitário, bacharel em direito, mestre e doutorando em ciência política
O fato é tão simples como estarrecedor. 9.600 (nove mil e seiscentas) pessoas vivem, há 8 (oito) anos, em um bairro da cidade de São José dos Campos conhecido como Pinheirinho. Estas pessoas são, todas, cidadãs de uma República cuja constituição, em seu artigo 6o, assegura, dentre outros, o direito fundamental à moradia, entendido como cláusula pétrea, ou seja, como garantia insusceptível de redução, senão mediante um golpe de Estado.
O terreno habitado por esses seres humanos não cumpria, até que eles ali chegassem, a sua função social. A mesma Constituição da República, em seu artigo 5o, também definido como cláusula que não se altera, condiciona a validade normativa do direito de propriedade ao cumprimento da respectiva função social. É majoritária, entre os constitucionalistas, a tese de que a referida dimensão funcional do direito à propriedade não se configura como limite (a exemplo dos direitos de vizinhança, servidões obrigatórias, etc.), mas como componente deontológica da situação proprietária. Em suma: sem obediência à função social, não há direito de propriedade válido neste país.
A massa falida de uma empresa chamada Selecta, cuja propriedade fora de um nababo detido em duas ocasiões por crimes de ordem fiscal e financeira, ostenta documentos que, formalmente, indicariam sua propriedade sobre o terreno onde as milhares de pessoas acima referidas possuem as respectivas moradias há quase um decênio. Ao solene arrepio do aspecto funcional do direito à propriedade privada, o Poder Judiciário do Estado de São Paulo optou por negar às famílias seu local de habitação, em favor da pessoa jurídica que, possivelmente, continuaria a manter, ali, um grande espaço vazio, transpondo a materialidade de uma vila com gente, comércio, igreja e histórias humanas em frio ativo que valorizaria o patrimônio de alguém, ao sabor das inexoráveis pressões inflacionárias do mercado imobiliário, definido pela inelasticidade da oferta. Em síntese: o Poder Judiciário malferiu dois artigos asseguradores de direitos fundamentais da Constituição (quinto e sexto), para expulsar pessoas humanas dos seus lares, de modo a garantir que milionários aumentassem seus patrimônios. A prefeitura do município de São José dos Campos, assim como o Governo do Estado de São Paulo, endossaram tal prática. Os moradores do bairro do Pinheirinho resistiram e, como resultado de sua abnegada luta, conquistaram, dentre outras vitórias, o interesse da União em considerar a desapropriação do terreno e, subsequentemente, implementar um projeto habitacional no local, política pública que contaria, dentre outras medidas, com a regularização fundiária da ocupação. Em suma, o Governo Federal, devidamente pressionado por ativistas e pela sociedade civil, acenou com a possibilidade de cumprir parte de suas obrigações prescritas no artigo 3o, inciso III, do Estatuto das Cidades, no que não fora acompanhado, lamentavelmente, pelos governos do Estado e do Município, os quais optaram por permanecer na ilegalidade.
De qualquer modo, tendo em vista o interesse jurídico da União na conflituosa questão, haja vista a necessidade de cumprimento do já citado artigo do Estatuto das Cidades, fez-se necessária a inclusão da Advocacia Geral da União - AGU no processo judicial e, por conseguinte, em respeito ao artigo 109 da Constituição, o deslocamento do feito para a Justiça Federal. Como consequência do desaforamento do processo em relação à Justiça Estadual de São Paulo, o Tribunal Regional Federal, órgão da Justiça Federal de 2a Instância, impôs a suspensão da ilegal determinação de despejo das 9,6 mil pessoas humanas que habitam o Pinheirinho, de modo a subtrair eficácia e validade de qualquer decisão sobre a matéria proferida no âmbito da justiça comum.
Ocorre, todavia, que não há juízes nesta Berlim proto-nazista sob a qual vivem os brasileiros do século XXI. Uma decisão judicial estadual de 1a Instância determinou que, em 22 de janeiro de 2012, as 9,6 mil pessoas fossem subtraídas do seu direito fundamental à moradia, em favor de uma massa falida que pretende manter o imóvel vazio, à espera de valorização ociosa incompatível com o princípio da função social da propriedade. É preciso que a situação fique bem clara: uma decisão judicial de 1a instância transgrediu um despacho da Justiça Federal de 2a instância e, ato contínuo, foi devidamente obedecida pelo Governo de São Paulo e sua Polícia Militar. Tudo para que quase 10 mil pessoas fossem, como ratos, jogadas nas ruas, sem destino, sem dignidade, sem direito a nada. Mas a tragédia é ainda pior. O advogado das famílias despejadas foi ilegalmente detido. Um Senador da República (Eduardo Suplicy - PT/SP), um Deputado Federal (Ivan Valente - PSOL/SP) e um presidente de partido (Zé Maria de Almeida - PSTU/SP), foram ilegalmente sitiados em uma escola localizada nas proximidades do Bairro Pinheirinho e, dali, impedidos de sair, em clara situação de prisão ilegal. E, até aqui, início da tarde de 22 de janeiro, há relatos (ainda sujeitos à devida confirmação) de que houve vítimas fatais. A se confirmar tão trágica notícia, tratam-se de histórias de vida interrompidas pela ação bárbara de um Estado que não atua mais próximo da legalidade do que qualquer bando ou quadrilha. O certo é que pessoas foram retiradas de seus lares por bandidos perigosos, armados, sustentados por impostos adimplidos por todos os cidadãos e que atuam ao arrepio da Lei, tal como concretamente prescrita pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região. Sem respaldo normativo, sem qualquer direito, sem nenhuma adequação à legalidade, como qualquer milícia ou grupo do crime organizado, o assim-chamado Poder Público irrompe contra uma válida decisão do Tribunal Regional Federal, aprisiona parlamentares, detém advogados (ao arrepio do artigo 7o da Lei 8.906) e impõe a barbárie, a selvageria e o terror contra 9,6 mil pessoas humanas que queriam apenas viver sob um teto e contar com um lugar para voltar, após extenuantes jornadas de trabalho. É a violência pura e sem discurso de justificação qualquer... Um horror de tão monta nefasto, que só pode ser comparado aos mais virulentos atos do nazi-fascismo no Século XX. Não se sabe o destino das famílias. Não se sabe quantas pessoas estão mortas e feridas neste momento. Sabe-se que a decisão de desocupação foi flagrantemente ilegal, bem como que a truculência militar e as detenções de líderes, parlamentares e advogados demonstram o caráter político-golpista do ocorrido. Certamente, as autoridades responsáveis por tamanha atrocidade não serão responsabilizadas. Possivelmente, além de desabrigados e humilhados em sua dignidades, muitos dos cidadãos hoje expulsos ilegalmente de suas moradias serão alvo de ações penais em razão da alegada prática de tipos criminais como desacato, dano ou qualquer outra conduta escolhida pelo seletivo aparato estatal. E é bem provável que aqueles que redigem textos como este revivam o drama de Émile Zola e tenham suas condutas capituladas em algum crime contra a honra.
Apenas uma lição deve ser extraída de tão dolorosa tragédia: o Estado Democrático de Direito é uma mentira. A legalidade é tão somente um artefato ideológico utilizado seletivamente para justificar o uso do arbítrio e da violência contra a classe social que produz, em favor da classe que parasita a humanidade. Não há qualquer cânone hermenêutico que explique a prática jurisdicional dos nossos tribunais, senão o meta-cânone da dominação de classe. É triste e muito, mas muito sofrido, aprender que um jovem alemão do século XIX, formado em direito e que com este sistema se decepcionara ainda na juventude, estava integralmente correto quando asseverou, em um misto de incitação com vaticínio, que "a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores". Ceifaram as rosas do Pinheirinho, mas não impedirão a primavera da vitória do povo oprimido!
O terreno habitado por esses seres humanos não cumpria, até que eles ali chegassem, a sua função social. A mesma Constituição da República, em seu artigo 5o, também definido como cláusula que não se altera, condiciona a validade normativa do direito de propriedade ao cumprimento da respectiva função social. É majoritária, entre os constitucionalistas, a tese de que a referida dimensão funcional do direito à propriedade não se configura como limite (a exemplo dos direitos de vizinhança, servidões obrigatórias, etc.), mas como componente deontológica da situação proprietária. Em suma: sem obediência à função social, não há direito de propriedade válido neste país.
A massa falida de uma empresa chamada Selecta, cuja propriedade fora de um nababo detido em duas ocasiões por crimes de ordem fiscal e financeira, ostenta documentos que, formalmente, indicariam sua propriedade sobre o terreno onde as milhares de pessoas acima referidas possuem as respectivas moradias há quase um decênio. Ao solene arrepio do aspecto funcional do direito à propriedade privada, o Poder Judiciário do Estado de São Paulo optou por negar às famílias seu local de habitação, em favor da pessoa jurídica que, possivelmente, continuaria a manter, ali, um grande espaço vazio, transpondo a materialidade de uma vila com gente, comércio, igreja e histórias humanas em frio ativo que valorizaria o patrimônio de alguém, ao sabor das inexoráveis pressões inflacionárias do mercado imobiliário, definido pela inelasticidade da oferta. Em síntese: o Poder Judiciário malferiu dois artigos asseguradores de direitos fundamentais da Constituição (quinto e sexto), para expulsar pessoas humanas dos seus lares, de modo a garantir que milionários aumentassem seus patrimônios. A prefeitura do município de São José dos Campos, assim como o Governo do Estado de São Paulo, endossaram tal prática. Os moradores do bairro do Pinheirinho resistiram e, como resultado de sua abnegada luta, conquistaram, dentre outras vitórias, o interesse da União em considerar a desapropriação do terreno e, subsequentemente, implementar um projeto habitacional no local, política pública que contaria, dentre outras medidas, com a regularização fundiária da ocupação. Em suma, o Governo Federal, devidamente pressionado por ativistas e pela sociedade civil, acenou com a possibilidade de cumprir parte de suas obrigações prescritas no artigo 3o, inciso III, do Estatuto das Cidades, no que não fora acompanhado, lamentavelmente, pelos governos do Estado e do Município, os quais optaram por permanecer na ilegalidade.
De qualquer modo, tendo em vista o interesse jurídico da União na conflituosa questão, haja vista a necessidade de cumprimento do já citado artigo do Estatuto das Cidades, fez-se necessária a inclusão da Advocacia Geral da União - AGU no processo judicial e, por conseguinte, em respeito ao artigo 109 da Constituição, o deslocamento do feito para a Justiça Federal. Como consequência do desaforamento do processo em relação à Justiça Estadual de São Paulo, o Tribunal Regional Federal, órgão da Justiça Federal de 2a Instância, impôs a suspensão da ilegal determinação de despejo das 9,6 mil pessoas humanas que habitam o Pinheirinho, de modo a subtrair eficácia e validade de qualquer decisão sobre a matéria proferida no âmbito da justiça comum.
Ocorre, todavia, que não há juízes nesta Berlim proto-nazista sob a qual vivem os brasileiros do século XXI. Uma decisão judicial estadual de 1a Instância determinou que, em 22 de janeiro de 2012, as 9,6 mil pessoas fossem subtraídas do seu direito fundamental à moradia, em favor de uma massa falida que pretende manter o imóvel vazio, à espera de valorização ociosa incompatível com o princípio da função social da propriedade. É preciso que a situação fique bem clara: uma decisão judicial de 1a instância transgrediu um despacho da Justiça Federal de 2a instância e, ato contínuo, foi devidamente obedecida pelo Governo de São Paulo e sua Polícia Militar. Tudo para que quase 10 mil pessoas fossem, como ratos, jogadas nas ruas, sem destino, sem dignidade, sem direito a nada. Mas a tragédia é ainda pior. O advogado das famílias despejadas foi ilegalmente detido. Um Senador da República (Eduardo Suplicy - PT/SP), um Deputado Federal (Ivan Valente - PSOL/SP) e um presidente de partido (Zé Maria de Almeida - PSTU/SP), foram ilegalmente sitiados em uma escola localizada nas proximidades do Bairro Pinheirinho e, dali, impedidos de sair, em clara situação de prisão ilegal. E, até aqui, início da tarde de 22 de janeiro, há relatos (ainda sujeitos à devida confirmação) de que houve vítimas fatais. A se confirmar tão trágica notícia, tratam-se de histórias de vida interrompidas pela ação bárbara de um Estado que não atua mais próximo da legalidade do que qualquer bando ou quadrilha. O certo é que pessoas foram retiradas de seus lares por bandidos perigosos, armados, sustentados por impostos adimplidos por todos os cidadãos e que atuam ao arrepio da Lei, tal como concretamente prescrita pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região. Sem respaldo normativo, sem qualquer direito, sem nenhuma adequação à legalidade, como qualquer milícia ou grupo do crime organizado, o assim-chamado Poder Público irrompe contra uma válida decisão do Tribunal Regional Federal, aprisiona parlamentares, detém advogados (ao arrepio do artigo 7o da Lei 8.906) e impõe a barbárie, a selvageria e o terror contra 9,6 mil pessoas humanas que queriam apenas viver sob um teto e contar com um lugar para voltar, após extenuantes jornadas de trabalho. É a violência pura e sem discurso de justificação qualquer... Um horror de tão monta nefasto, que só pode ser comparado aos mais virulentos atos do nazi-fascismo no Século XX. Não se sabe o destino das famílias. Não se sabe quantas pessoas estão mortas e feridas neste momento. Sabe-se que a decisão de desocupação foi flagrantemente ilegal, bem como que a truculência militar e as detenções de líderes, parlamentares e advogados demonstram o caráter político-golpista do ocorrido. Certamente, as autoridades responsáveis por tamanha atrocidade não serão responsabilizadas. Possivelmente, além de desabrigados e humilhados em sua dignidades, muitos dos cidadãos hoje expulsos ilegalmente de suas moradias serão alvo de ações penais em razão da alegada prática de tipos criminais como desacato, dano ou qualquer outra conduta escolhida pelo seletivo aparato estatal. E é bem provável que aqueles que redigem textos como este revivam o drama de Émile Zola e tenham suas condutas capituladas em algum crime contra a honra.
Apenas uma lição deve ser extraída de tão dolorosa tragédia: o Estado Democrático de Direito é uma mentira. A legalidade é tão somente um artefato ideológico utilizado seletivamente para justificar o uso do arbítrio e da violência contra a classe social que produz, em favor da classe que parasita a humanidade. Não há qualquer cânone hermenêutico que explique a prática jurisdicional dos nossos tribunais, senão o meta-cânone da dominação de classe. É triste e muito, mas muito sofrido, aprender que um jovem alemão do século XIX, formado em direito e que com este sistema se decepcionara ainda na juventude, estava integralmente correto quando asseverou, em um misto de incitação com vaticínio, que "a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores". Ceifaram as rosas do Pinheirinho, mas não impedirão a primavera da vitória do povo oprimido!
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
A Lua se Foi
A lua se foi
Será que vai voltar?
Levou a luz azul
Levou a cor do mar
A Lua se foi
E ela vai voltar?
Deixou muita saudade
E marés a se encontrar
Mas será que é isso mesmo
e a lua deu um jeito
de tudo isso escapar?
Ou será que é só um jeito
de dizer que há só um tempo
para a lua ter o mar?
Será que vai voltar?
Levou a luz azul
Levou a cor do mar
A Lua se foi
E ela vai voltar?
Deixou muita saudade
E marés a se encontrar
Mas será que é isso mesmo
e a lua deu um jeito
de tudo isso escapar?
Ou será que é só um jeito
de dizer que há só um tempo
para a lua ter o mar?
terça-feira, 13 de setembro de 2011
A Parábola do Escomungado
Em algum lugar muito parecido com algum outro lugar vivia um grupo de Esquizofrênicos. Esses esquizofrênicos, ao contrário do que se poderia imaginar, viviam muito bem, já que em sua condição peculiar, não tinham cada um um conjunto de visões e estranhas percepções mas ao contrário, sua esquizofrenia, por assim dizer, era compartilhada.
Dada essa condição bastante pitoresca, os esquizofrenicos se reuniam todas as tardes ao que parecia ser entre as 18 e 20 horas num descampado, ao final de uma trlha em um pequeno bosque. Esse deacampado parecia uma daquelas formas de bolo ou pudim que têm aquela protuberância bem no meio. E bem alí naquele miolo protuberante se erguia uma pedra nada incomum, coberta por um limo verde-cana. Da base da pedra se erguia um fino caule que se arqueava enquanto subia projetando, ao meio dia, a sombra de uma bela orquídea roseada bem no meio da pedra.
Eis que então os esquizofrênicos se reuniam ao entorno da forma de bolo/pudim para apreciar, ao que parecia, uma pequena orquídea se balançando sobre uma pedra. Acontece que aos olhos daqueles bem aventurados a pedra era, na verdade, uma gelatina laranja bem translucida e a orquídea um pássaro preto. Ali, portanto, era uma arena onde grandes embates filosóficos eram travados e durante essas duas horas a gelatina e o pássaro debatiam árduamente suas posições, com a razão pendendo, óbviamente, para o pássaro.
Um belo dia ao fim de uma particularmente monótona discussão, quando iam saindo os espectadores, um deles levanta mais a voz do que deveria e diz: É Parece que dessa vez a gelatina ganhou. Um silêncio meio constrangedor tomou o lugar e algumas pessoas que iam saindo riam bem baixinho se afastando do "maluquinho". Torcendo os narizes, os esquizofrênicos mais antigos e responsáveis pela manutenção dos rituais resolveram que deixariam aquela passar. coisa de menino.
O problema é que no decorrer da semana, que durava dias aleatórios, o "maluquinho" conseguiu convencer alguns outros esquizofrênicos que a gelatina poderia ter razão vez ou outra e que não havia nada de mal nisso. Isso, naturalmente, incomodou demais os mais velhos que decidiram por um fim naquela coisa de a gelatina ter razão. Onde já se viu! Como é que algo larana pode ter razão, parecia brincadeira e com certeza era mau uso do conhecimento divino.
Sendo assim não havia mais o que ser feito. Um dia os velhinhos chamaram o "Gelatinista" e proferiram sua sentença. Não mais poderia ele participar dos debates a cerca das quetões apontadas pelo Pássaro e pela Gelatina. Ele estava terminantemente proibido de compartilhar dos espaços sagrados e consequentemente de qualquer contato com seus, agora antigos, pares. Estava por fim proibido de comungar com seus irmãos. Escomungado.
Dada essa condição bastante pitoresca, os esquizofrenicos se reuniam todas as tardes ao que parecia ser entre as 18 e 20 horas num descampado, ao final de uma trlha em um pequeno bosque. Esse deacampado parecia uma daquelas formas de bolo ou pudim que têm aquela protuberância bem no meio. E bem alí naquele miolo protuberante se erguia uma pedra nada incomum, coberta por um limo verde-cana. Da base da pedra se erguia um fino caule que se arqueava enquanto subia projetando, ao meio dia, a sombra de uma bela orquídea roseada bem no meio da pedra.
Eis que então os esquizofrênicos se reuniam ao entorno da forma de bolo/pudim para apreciar, ao que parecia, uma pequena orquídea se balançando sobre uma pedra. Acontece que aos olhos daqueles bem aventurados a pedra era, na verdade, uma gelatina laranja bem translucida e a orquídea um pássaro preto. Ali, portanto, era uma arena onde grandes embates filosóficos eram travados e durante essas duas horas a gelatina e o pássaro debatiam árduamente suas posições, com a razão pendendo, óbviamente, para o pássaro.
Um belo dia ao fim de uma particularmente monótona discussão, quando iam saindo os espectadores, um deles levanta mais a voz do que deveria e diz: É Parece que dessa vez a gelatina ganhou. Um silêncio meio constrangedor tomou o lugar e algumas pessoas que iam saindo riam bem baixinho se afastando do "maluquinho". Torcendo os narizes, os esquizofrênicos mais antigos e responsáveis pela manutenção dos rituais resolveram que deixariam aquela passar. coisa de menino.
O problema é que no decorrer da semana, que durava dias aleatórios, o "maluquinho" conseguiu convencer alguns outros esquizofrênicos que a gelatina poderia ter razão vez ou outra e que não havia nada de mal nisso. Isso, naturalmente, incomodou demais os mais velhos que decidiram por um fim naquela coisa de a gelatina ter razão. Onde já se viu! Como é que algo larana pode ter razão, parecia brincadeira e com certeza era mau uso do conhecimento divino.
Sendo assim não havia mais o que ser feito. Um dia os velhinhos chamaram o "Gelatinista" e proferiram sua sentença. Não mais poderia ele participar dos debates a cerca das quetões apontadas pelo Pássaro e pela Gelatina. Ele estava terminantemente proibido de compartilhar dos espaços sagrados e consequentemente de qualquer contato com seus, agora antigos, pares. Estava por fim proibido de comungar com seus irmãos. Escomungado.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Bob
Bob estava resignado. Na verdade mesmo ele estava revoltado. Mas esse tipo de sentimento demandava explicações e argumentos concisos demais que ele não estava nada afim de expor ou entender. Tudo começou quando ele saira para comprar pão. Na volta da padaria Bob resolveu passar pelo bar vizinho cujo dono era seu amigo de longa data.
Ao entrar no estabelecimento, ainda fechado, Bob encontrou seu velho amigo atrás do balcão, obviamente secado as taças. Depois das corriqueiras liberdades envolvidas no processo peculiar de encontro de dois amigos homens, Bob que estava prestes a começar uma conversa burocratica relatando os detalhes que haviam mudado em sua vida nos últimos dois dias foi interrompido pela TV.
Ao contrário do que se poderia imaginar, a TV não pediu qualquer tipo de licensa, senão atravessou bruscamente o salão perturbando a conversa. Um ajudante do dono do bar a havia ligado e, já que todo homem daquele lugar era acima de tudo absolutamente honesto, Bob nem cogitou qualquer possibilidade dele ter feito aquilo de propósito. Nem ele, nem a TV e nem os dois em complô .
Interrompidos, foram forçados, os dois amigos, a olharem para a TV. Nela o presidente falava sobre como as novas medidas, taxas, privatizações, estatizações e mansões eram "para o bem do país". Todos ali sabiam, naturalmente, que o Lagarto mentia, e o mau estar ficou por conta do termo "mansões" e de como aquilo dava um tom irreverente ao discurso.
Os Lagartos, vale a pena dizer, eram muito bem articulados e sabiam muito bem o que escolher para beber o que os levou, naturalmente, a assumir a liderança daquele povo humano, apesar de odiá-los. Na verdade os humanos também os odiavam, mas acreditavam piamente na capacidade de escoher o que beber dos lagartos.
Ao final do discurso, o bar já aberto ganhou sua vida normal e os pequenos comentários sobre a irreverencia do presidente ao ter colocado no discurso a palavra "mansões". Mas de repente alguém disse algo que não queria dizer e alguém de outra mesa interpretou como algo que ele deveria ter tentado falar e, logicamente, o estabelecimento transformou-se num verdadeiro caldeirão. Focos de conversas e falas indignadas enchiam todos os cantos do bar, se unificando quando todos pareciam falar ao mesmo tempo a mesma coisa com outras palavras.
Em meio a esse pandemônio, Bob, imbuído do mais caloroso dos furores políticos evocou o nome da oposição. Silêncio sepulcral. Mais silêncio. Os olhos de todos se voltaram curiosos para ele que desceu da mesa. Devagar. O dono do bar o ajudou, passou o braço pelos seus ombros e, caminhando em direção à porta, disse-lhe: Os outros lagartos são piores. Bob resignou-se.
Ao entrar no estabelecimento, ainda fechado, Bob encontrou seu velho amigo atrás do balcão, obviamente secado as taças. Depois das corriqueiras liberdades envolvidas no processo peculiar de encontro de dois amigos homens, Bob que estava prestes a começar uma conversa burocratica relatando os detalhes que haviam mudado em sua vida nos últimos dois dias foi interrompido pela TV.
Ao contrário do que se poderia imaginar, a TV não pediu qualquer tipo de licensa, senão atravessou bruscamente o salão perturbando a conversa. Um ajudante do dono do bar a havia ligado e, já que todo homem daquele lugar era acima de tudo absolutamente honesto, Bob nem cogitou qualquer possibilidade dele ter feito aquilo de propósito. Nem ele, nem a TV e nem os dois em complô .
Interrompidos, foram forçados, os dois amigos, a olharem para a TV. Nela o presidente falava sobre como as novas medidas, taxas, privatizações, estatizações e mansões eram "para o bem do país". Todos ali sabiam, naturalmente, que o Lagarto mentia, e o mau estar ficou por conta do termo "mansões" e de como aquilo dava um tom irreverente ao discurso.
Os Lagartos, vale a pena dizer, eram muito bem articulados e sabiam muito bem o que escolher para beber o que os levou, naturalmente, a assumir a liderança daquele povo humano, apesar de odiá-los. Na verdade os humanos também os odiavam, mas acreditavam piamente na capacidade de escoher o que beber dos lagartos.
Ao final do discurso, o bar já aberto ganhou sua vida normal e os pequenos comentários sobre a irreverencia do presidente ao ter colocado no discurso a palavra "mansões". Mas de repente alguém disse algo que não queria dizer e alguém de outra mesa interpretou como algo que ele deveria ter tentado falar e, logicamente, o estabelecimento transformou-se num verdadeiro caldeirão. Focos de conversas e falas indignadas enchiam todos os cantos do bar, se unificando quando todos pareciam falar ao mesmo tempo a mesma coisa com outras palavras.
Em meio a esse pandemônio, Bob, imbuído do mais caloroso dos furores políticos evocou o nome da oposição. Silêncio sepulcral. Mais silêncio. Os olhos de todos se voltaram curiosos para ele que desceu da mesa. Devagar. O dono do bar o ajudou, passou o braço pelos seus ombros e, caminhando em direção à porta, disse-lhe: Os outros lagartos são piores. Bob resignou-se.
(Agradecimentos a Tio Douglas, pela inspiração. E pela idéia central. Na verdade é quase plágio...)
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Perdão
Me desculpe meu amor
não posso
ser o que você quer
eu não posso.
Eu sou eu e nada mais
nem nada menos
eu sou eu e tudo mais
que tenho
sou um poço de vaidade
com zero de tendência
sou um mundo em conflito
pensador na pura essência
mais dizer do que agir
não fui feito para o rápido
tempo tenho o meu e pronto
e não me importo com os rastros
não é fácil me seguir
pois não sigo o reto, o fato.
Por vezes rio pelos vales
outras remo contra o março
vezes salto em contratempo
vezes canto em coro o baixo
Sinto muito se não sei
ser mais do que eu sou
sinto muito meu amor
mas sei que pouco não sou.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Mulher Com Véu é Detida na França
A woman has been detained in France for wearing an Islamic veil across her face, after a law banning the garment in public came into force.
Não sei se vocês sabem, mas a França proibiu o uso dos polêmicos veús por mulheres muçulmanas em público. Não vou entrar no debate sobre justiça do uso do véu ou da sua proibição. Só acho interessante que, em países muçulmanos e autoritários, as mulheres sejam presas pela falta do véu e, que em um país democrático, elas sejam presas pelo uso.
Não sei se vocês sabem, mas a França proibiu o uso dos polêmicos veús por mulheres muçulmanas em público. Não vou entrar no debate sobre justiça do uso do véu ou da sua proibição. Só acho interessante que, em países muçulmanos e autoritários, as mulheres sejam presas pela falta do véu e, que em um país democrático, elas sejam presas pelo uso.
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