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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Utopia

Vou tentar quebrar meu gelo com uma frase alheia, que pôs lado a lado duas palavras desencontradas: uma que, para mim, servia apenas para designar uma coisa que se construia antigamente, utopia, e outra que anda na moda atualmente, eficiência. É que estava lendo um tal de Warat e ele disse que ela, a utopia, "será medrosa, impotente, frustrante se enclausurada numa compulsão de perfectibilidade". Mas, venha cá, uma utopia pode ser recompensadora ou eficaz?

Deixo aí para reflexões. Talvez volte depois com as minhas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

...Em Lugar Nenhum...

Correu como pôde. naquele lugar escuro e úmido suas pernas exaustas o atiraram contra a parede curva. tudo era cinza. com a ajuda do sangue que teimava em falhar chegar no seu cérebro, descrevendo em sua frente as mais bizarras distorções da realidade, fria e cruel realidade.

Já não ouvia os passos que até pouco tempo o atormentavam. entretanto era difícil ouvir algo com sua respiração daquele jeito e seu coração martelando contra a caixa do seu peito como um taiko yaku¹ lançando o exército conta o inimigo. o problema era que, agora, o inimigo era ele.

Se pegou procurando uma saída. pra onde? pensou interrompendo a busca. voltar para aquele lugar maldito não era opção. o suicídio, se fosse, poderia tê-lo feito sem se cansar tanto. o que resta?

Um gosto amargo desce pela sua garganta. por fora, um formigamento sobe por ambos os lados do seu pescoço, passa por trás de suas orelhas até as têmporas e inunda seus olhos.

-Foi tudo... em vão?

Imagens confuzas cruzam sua mente em um piscar de olhos, fogo, lama, balas, balas e mais balas. Gritos, gemidos, suplícios. Vomitou.

Vomitou tudo que não havia comido, quis ter vomitado a si próprio assim não precisaria ver seus olhos na poça formada por seu excremento. olhos que viram mais do que desejaram ver e agora viviam mais uma vez... para ver mais o quê?