quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Não passe sem Luta, Passe Livre Já

não querendo fugir da responsabilidade de criar minhas proprias linhas trago aqui um texto, na verdade uma nota pública do Movimento Passe Livre Aracaju, núcleo que se organiza nacionalmente com MPL-Salvador do qual eu faço parte e compartilho das idéias boa leitura:

"A Bilhetagem Eletrônica já em curso na cidade de Aracaju está sendo panfletada sob a égide de dois princípios gerais, aparentemente positivos: a modernização tecnológica e o incremento da segurança no transporte público. O Movimento Passe Livre em Aracaju e em mais de 26 cidades brasileiras contesta veementemente esses argumentos por acreditar que mascaram a verdadeira razão deste novo paradigma para o sistema de transporte público.

Como não gostamos de dar ponto sem nó não caímos na ingenuidade leviana de simplesmente esbravejar aos setes ventos que isso é ruim e pronto. Nem iremos nos perder em slogans poéticos, porém perdidos no tempo. Procuramos dissecar o problema que nos cerca e começamos pela própria organização do transporte coletivo urbano.

A Constituição Federal (art. 30, V), afirma que o transporte coletivo é um serviço público essencial prestado diretamente pelo município ou em regime de concessão sob fiscalização municipal. E continua dizendo que toda e qualquer concessão pública deve ser precedida de uma licitação. Tem bastante tempo que os meios de comunicação tornam pública a batalha pelo processo licitatório sem que o mesmo logre êxito. Sendo assim, a qualidade do serviço que deveria ser garantida através de uma licitação pública foi pro espaço.

Como se isso não bastasse todos sabemos que o sistema de transporte passa por uma crise. Empresários e Prefeitura tentam ao máximo passar a imagem de que esta crise é de financiamento. Demonizam o transporte dito clandestino e a venda de passes e vales por pessoas desautorizadas. Além, é claro, das gratuidades garantidas por lei. Para tal, utilizam sempre de um discurso técnico procurando afastar do conhecimento público os problemas do sistema.

O Movimento Passe Livre – Aracaju entende que a crise é de mobilidade urbana. Quanto mais se aumenta a tarifa (a fim de que os empresários possam maximizar os lucros em curto espaço de tempo) um número considerável de pessoas deixa de andar de ônibus, isso significa que o número de pessoas que dividirá os custos do sistema através do pagamento de tarifas se reduz e assim inaugura-se um círculo vicioso, no qual o aumento nas tarifas desencadeia uma espiral de exclusão de usuários seguida automaticamente de novos aumentos decorrentes da própria dinâmica do sistema; estes novos aumentos excluem outros usuários, e assim sucessivamente, até que o transporte coletivo torne-se progressivamente mais elitista.

Todas as “alternativas” encontradas pelo empresariado ou pelo Poder Público malmente roça a superfície do principal problema, que é a mercantilização do direito e ir e vir. E é aqui que chegamos à Bilhetagem Eletrônica ou antecipação de receita que é a mais recente das soluções encontradas. Ela vem embutida na principal proposta de "modernização" que tende a eliminar progressivamente o posto dos cobradores, mantidos no processo de produção do deslocamento humano nas cidades apenas graças à força dos sindicatos de rodoviários;

Sabe-se que, entre 50 cidades brasileiras pesquisadas pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano - NTU entre 2002 e 2003, 35% delas já tinham a bilhetagem eletrônica implementada em seus sistemas de transporte coletivo urbano por suas respectivas prefeituras, e 41% pretendiam implementá-la dentro em breve; dentre as cidades com bilhetagem eletrônica implementada no sistema de transportes, 84% não eliminou e nem pretende eliminar o posto de cobrador, 16% já havia eliminado o posto e 5% pretendia eliminá-lo em breve (NTU, 2003).

A jogada é simples: ao invés de pagar a passagem no ato de seu deslocamento, entregando dinheiro ao cobrador ao entrar no ônibus, com a bilhetagem eletrônica o passageiro é obrigado a comprar cartões eletrônicos com créditos equivalentes a tarifas. Ocorre que estes créditos não são vendidos individualmente, mas sim em quantidade que permita a cobertura dos gastos com a confecção dos cartões, manutenção dos pontos de venda et cetera. Assim, o passageiro compra uma quantidade de tarifas maior que a de sua necessidade imediata de deslocamento, e antecipa receita para os empresários. Mas o patronato das empresas de transporte coletivo tem basicamente quatro interesses: reduzir o número de meias passagens, demitirem cobradores, aumentar a receita e reduzir custos.

Os estudantes compram passes escolares nos Correios com o limite de duas “compras” por mês. Se pertencerem a escolas de segundo grau tem direito a setenta passes. Isso dá no final do mês exatos R$57,75 centavos. Como a educação é confundida com presença na escola esses setenta passes escolares fazem com que o estudante vá e volte somente uma vez da escola. O estudante fica no impasse de não sair de casa para manter a freqüência. De que adianta poder andar de ônibus aos domingos se os pais não tem dinheiro nem pra semana? Com o cartão eletrônico, a reposição que era feita com a compra de passes e vales em camelôs se perde no brejo fazendo com que o estudante pague a inteira se quiser sair de casa reduzindo assim o número de meias passagens.

O aumento da receita é óbvio, posto que o cartão maisaracaju é pré-pago. Demissão de cobradores e redução de custos são duas faces da mesma moeda e são objetivos de médio prazo. Lembramos bem de uma entrevista onde o médico de formação e superintendente da SMTT Antônio Samarone discursava o inevitável processo de bilhetagem onde até o final do ano todos estariam usando o cartão. Juntando peças recordamos também que o atual Prefeito e ex-comunista Edvaldo Nogueira tranqüilizava os cobradores afirmando que haveriam eventuais passageiros que pagariam com dinheiro. A incongruência está na voracidade em ter TODAS as pessoas utilizando o cartão e esperar que EVENTUAIS usuários paguem com moedas.

Não sabemos qual é a posição das entidades estudantis neste processo já que este debate está sendo escondido do povo e dos estudantes. Sendo assim, deixamos clara a nossa posição de descontentamento e denúncia: a bilhetagem eletrônica favorece somente os empresários e a meia passagem aos domingos nem de longe toca na questão fundamental de impedimento à educação que é o preço da tarifa.

A educação só será de fato gratuita e acessível a todos quando os estudantes puderem sair e voltarem de suas casas sem ter que pagar por isso. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) em seus artigos 10 e 11 atestam a responsabilidade do Município e do Estado com o transporte dos estudantes de suas respectivas redes. Isto vem sendo escancaradamente ignorado pela Prefeitura e pelo Governo do Estado. Além do mais, a Lei de Concessões Públicas afirma que quem tem que renovar a frota é a concessionária e não o Poder Concedente. Foi amplamente noticiada a entrega de 18 ônibus pela Prefeitura. Um caso típico de desvio do erário público para empresas privadas.

Com base nesses e em outros argumentos que não cabem neste espaço o Movimento Passe Livre – Aracaju tem organizado sua pauta em torno de um transporte livre da iniciativa privada, com controle público, combinada com a autogestão dos transportes pelos passageiros e trabalhadores do setor para que os transportes se tornem realmente públicos.

Por uma vida sem catracas.
Movimento Passe Livre - Aracaju"


quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Onde estão estes mosqueteiros infiéis? Será que vou ter que carregar este blog sozinho? Um por todos e...Por onde anda Aramis e suas reflexões sobre o universo infinito da mente humana? Será possível que este cão imundo não tenha até hoje se dignado a publicar uma só palavra? D’Artagnan, o mosqueteiro fundador, onde foram parar suas histórias insólitas? Terá se dado por satisfeito depois tão breve praticipação? Verme preguiçoso! Quanto ao finado Porthos, acho que as esperanças na sua ressurreição já se esvaeceram. Então que vá com Deus (ou será melhor dizer que o Diabo lhe carregue?).

Trago notícias boas também, apesar de já antigas. Para os eventuais leitores tão desinformados quanto eu, tenho o prazer de informar que está sendo filmada a adaptação cinematográfica de Ensaio Sobre A Cegueira. O nome será BLINDNESS e contará com a participação de Gael Garcia Bernal, Julianne Moore e Danny Glover. O Diretor é Fernando Meirelles,de Cidade De Deus e O Jardineiro Fiel, que lançou um blog contando os bastidores das filmagens. (bem jornalístico este parágrafo, não?).

Enfim, rogo mais uma vez aos diletos integrantes deste blog que não abandonem a causa!


Site Recomendado:
http://blogdeblindness.blogspot.com/

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Carta a Uma Amiga

Prezada Milla,

Em primeiro lugar, obrigado pela lembrança.

Pra ser sincero já tinha lido esta entrevista de Marcola ao Globo. Fiquei muito chocado na época. Melhor dizendo, fiquei muito impressionado. Inclusive coloquei um trecho dela no perfil do meu orkut: achei que as pessoas precisavam ver algumas daquelas palavras.

Mas, hoje penso se o objetivo dessa entrevista não era, justamente, chocar. Afinal, se não fosse algo assim a globo não publicaria, nem o "maior criminoso do país" abriria a boca pra falar. Como o próprio afirmou, antes pessoas como ele só eram lembradas nos desabamentos e nos sambinhas romantizando a favela. Agora não, eles são primeira página: ataques no Rio, em São Paulo, chacinas aqui e acolá, enfim, não se passa uma semana sem que haja algo macabro no jornal sobre as favelas. O Governo até criou um grupo especial para cuidar dos favelados, a Força Nacional. É o show do terror que eles aprenderam a dar e que a mídia adora. E a entrevista toda é assim, desde o descaso com a moral até as vastas leituras do "marginal".

Aí, eu que no começo me impressionei com a clareza e sagacidade do diagnóstico de Marcola, e claro com a própria cena descrita, começo a tirar o crédito das suas palavras. Um homem que leu tanto quanto ele demonstra ter lido tem perfeita noção do impacto das coisas que disse. E até que ponto ele não disse aquilo apenas pela atenção que chamaria? É cheio de frases de efeito como "eu sou um sinal dos novos tempos", ou "você é que têm medo de morrer, eu não" e " Nós somos cruéis, sem piedade (...) Nós fazemos vocês de palhaços". Alguns cantam pra serem famosos, outros mostram a bunda, ele mata. E agora se diz o cavaleiro do Apocalipse.

Pense bem, veja se as críticas dele não se aplicam ao governo de Lula, mas também ao de Collor, à Ditadura, aos dos Dom Pedros. O nosso país tem sido governado com o mesmo descaso e pela mesma burocracia incompetente desde o começo. Canudos, o cangaço, o comunismo, o governo parece sempre tentar resolver o problemas sociais com violência, cuidando dos sintomas sem cuidar das causas. São críticas velhas como a anúncio do fim dos tempos, que já deveriam,segundo as profecias, ter acabado há muito tempo. Repare que ele cita a Divina Comédia, que começou a ser escrita há exatos 700 anos.

Enfim, talvez ele até sirva de alerta para acordar as pessoas. De fato, a situação é grave, da criminalidade ao meio ambiente, e precisa de nossa intervenção. Mas, sinceramente eu acredito que desespero não ajuda. Vamos ler e ouvir quem informa e propõe algo diferente, não estes jornais sujos de sangue.

Espero que tenha valido sua paciência.
Abraços,

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Andei repensando Cuba

Li recentemente um artigo de Fidel Castro na Caros Amigos. Tratava dos pugilistas cubanos que tentaram fugir durante o pan. Na perspectiva dele, o retorno dos cubanos correra de forma tranqüila, com uma perfeita colaboração entre as autoridades brasileiras e cubanas. Quanto aos desportistas, eles apenas haviam desistido de ceder as ofertas indecentes de empresários – na opinião de Fidel - mafiosos. Segundo o estadista ainda, ninguém foi preso ao chegar em Cuba, foram eles apenas levados para casas de observação, com livre acesso aos familiares e aos repórteres. Os boxeadores não seriam tampouco objeto de represálias de qualquer tipo e exerceriam uma função digna do esporte que praticavam. Em suma, receberiam um tratamento digno, diferente daquele dado pelos estado-unidenses aos prisioneiros de Guantánamo e Abu-Ghraib. Achei interessante, em primeiro lugar, o paralelo com as prisões americanas. Se não foram de fato presos os ex-desertores, seria então descabida a comparação. Enfim, talvez ele tenha apenas aproveitado o ensejo para criticar seus inimigos mortais. De qualquer modo, após muitos anos defendendo Cuba e o regime de Fidel, fiquei pensando nas palavras dele, especialmente sobre o buscar soluções despregadas de paixões e rancores e sobre o saber tratar seu povo. Primeiro, pelas inúmeras pessoas perseguidas pelo governo por atos atentatórios a revolução. Gente que foi presa e torturada, assim como aqui, por ter opiniões diferentes. Mas, não só isso, fiquei pensando também no povo que vive com cerca 200 pesos por mês, que não é mera média aritmética, pois num país socialista todos ganham mesma coisa. Este salário equivale a menos de 10 dólares, o que coloca os cubanos abaixo da linha da pobreza. O governo ainda fornece uma sesta-básica, mas ela não atende às necessidades de uma família durante um mês. Pensei também nas eleições que são feitas apenas para o Congresso Nacional, onde se vota erguendo-se a mão e apontando para um dos candidatos escolhidos pelo Partido Comunista Cubano, o único do país. Enfim, até que ponto um chefe de estado que submete seu a tantas privações e a tamanha repressão político-ideológica sabe o que é digno? E já nem consigo mais pensar nisso como sacrifícios em prol de um ideal, por que este ideal não é mais construído, nem conversado, nem aspirado ou sonhado, apenas imposto.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

...Um dia na vida...

Humpf... sobrou pra mim, sempre sobra. alguém tem que fazer o trabalho sujo, elas dizem. sujo... e existe algo meis mportante que isso? a outra diz que os animais, oh os animais. humpf... animais... tá certo e a outra, há! prefeitura! que piada. quando aqueles vermes forem presos ela acaba indo junto... e a mim... ... a mim sobrou o trabalho sujo... outra coisa porque trabalho sujo? quem disse que cuidar de am]nmais é um trabalho limpo? e quem disse que ficar naquele covil é limpo... mas tudo bem...

muitos, hoje vai ser divertido... aqueles vermes, sempre tentando dar um jeitinho de chegar ao jantar. Sopa, macarrão, lasagna... massas, massas são seu fraco... o que facilita bastante meu trabalho... muito bem, olha como eles passam achando que nada pode vê-los, no supermercado é que els se escondem, é difícil manter a segurança nos supermercados, o que seria ideal, assim pegariamos os sujeitos que facilitam esse tipo de migração legal. não que eles iriam sobreviver muito mais, o prolema é o que els trazem cnsigo mesmo depois de morto... infectam tudo e a solução é eliminar. vejam, quando eles se escondem fica uma marca branca, quando já estão mais folgados fica até marrom... e esses são os melhores de torturar. água... como odeiam a forma como usamos água... dá pra sentir o desespero, fugir? não há como fugir... marginais que escolhem esse caminho geralmente se fodem, huahhua, prinipalmente comigo... eu executo sem pena, e quem está levando? mesmo buraco, até os que já se separaram a gente pega e exclui, daí pra frente é outro departamento que toma conta, e eles são sujos... huhuhu, aí ocês veriam traalho sujo.

pense o que quiser, mas quando se trata de macarão, aqueles bichinhos tem que se fuder mesmo...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Parece que agora é sério!

- Gente, parece que ACM morreu mesmo.

- Sério mesmo?ele ta morrendo há mais de um mês.

- Parece que agora é sério. Minha amiga disse agora que viu na tv.

- Finalmente!!!

- Eitah!Como é que fala assim da morte de alguém?!

- Por mim ele tinha ido antes.

- Não acredito!(lágrimas)

- Ai minha Nossa Senhora!

- Ô gente, vamos respeitar a morte do homem. Vocês podem não gostar dele, mas tem que reconhecer que tudo que a Bahia é hoje deve a ele. O pessoal lá fora conhece a Bahia por causa dele. Ele fez a Bahia famosa.

- E Cabral? E Caetano? E Itapuã? Tudo por causa dele também?

- Eu mesmo não acho nada. Pra mim ele nem faz nem desfaz. Mas realmente, a carreira política do homem é invejável. Eu vi a reportagem no jornal. Rapaz, o homem fez de tudo.

- Matou, roubou...

- E a Ford aqui na Bahia foi ele quem trouxe. Ia pra não sei pra onde e ele fez vim pra cá. Bicho, é uma fábrica da porra, cada robozão retado!
- Realmente lá tem de tudo, menos baiano trabalhando....

- Ah rapaz, aí não concordo não, Cê ta com uma visão muito assim (mãos ao rosto imitando a bitola dos cavalos)

- Acho que a gente devia fazer um minuto de silêncio!

- Era só o que me faltava...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O mundo dos papeis.

"Em casa onde se falta pão, todo mundo grita, ninguém tem razão". Pois é, sabem como são os ditados, né?, dizem tudo sem dizer nada. E se forem citados com a entonação correta, deixam o ouvinte com a sensação de aquilo realmente tinha um sentido e só ele não entendeu. Mas, o mundo dos papéis me faz lembrar deste ditado em especial com freqüência. Nunca vi tanta gente gritar sem ter razão. Impressionante como os princípios mais bonitos servem de base para os pedidos mais esdrúxulos. Certa feita, vi Jô Soares fazer um comentário sobre uma pérola do ENEM que cabe perfeitamente: “acho q o professor lê isso aqui e não sabe se está certo ou errado”. Nesse caso, a dúvida seria do Juiz e não do professor. Aí, as pensões alimentícias se perdem em meio a discussões entre maus devedores e cobradores impiedosos. E eu fico me perguntando qual é o pão que falta a essa gente. Ética seria uma resposta bem óbvia, a ponto de me fazer desconfiar dela. Talvez sejam apenas crianças esquecidas por seus pais, carentes de atenção, que gritam por não saber dizer o que sentem e por não conhecer limites para o barulho. O que isso significa deixo para outro post, com análises antropológicas ou sociológicas mais profundas...